Pelo menos 26 pacientes relataram complicações graves após participarem de um mutirão oftalmológico realizado em uma clínica particular em Irecê, no norte da Bahia. Os atendimentos ocorreram entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, no Hospital Ceom, localizado no centro da cidade.
Segundo o Oeste em Alerta, pacientes e familiares afirmaram que os problemas começaram a surgir logo após os procedimentos. Um advogado que representa parte dos atingidos informou que todos apresentaram comprometimento da visão em pelo menos um dos olhos após aplicações intravítreas — procedimento geralmente considerado seguro.
Em casos mais graves, houve necessidade de retirada do globo ocular. Ainda não há confirmação oficial sobre investigação policial até a última atualização.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) confirmou que 26 pacientes relataram intercorrências, como ardência, vermelhidão e irritação ocular. Alguns casos evoluíram para endoftalmite, uma infecção grave que pode causar danos permanentes à visão.
Durante a ação, foram realizados 143 procedimentos de terapia antiangiogênica (TAG), com aplicação do medicamento Avastin (bevacizumabe), utilizado no tratamento de doenças oculares.
Após tomar conhecimento das complicações, a Sesab suspendeu imediatamente o encaminhamento de novos pacientes para a unidade. Desde então, nenhum paciente foi direcionado ao local.
Uma inspeção sanitária identificou falhas no armazenamento do medicamento, incluindo problemas no controle de temperatura e despreparo da equipe quanto aos protocolos exigidos. Amostras dos insumos foram recolhidas para análise.
A Diretoria de Controle das Ações e Serviços de Saúde também iniciou diligências, com análise de prontuários e acompanhamento dos pacientes afetados.
A Sesab destacou que o Hospital Ceom é uma unidade privada credenciada ao SUS e que a responsabilidade pelos atendimentos e procedimentos é da própria instituição. O órgão afirmou ainda que não promoveu mutirão no município no período citado.
Em nota, o Hospital Ceom informou que realizou 643 procedimentos durante os dois dias de atendimentos, todos dentro dos critérios médicos estabelecidos. A unidade confirmou que 24 pacientes submetidos à terapia antiangiogênica apresentaram intercorrências, mas afirmou que todos estão sendo acompanhados com assistência integral.
O hospital declarou ainda que parte dos pacientes já apresenta melhora progressiva e que uma auditoria interna foi concluída para análise dos atendimentos. As investigações seguem em andamento por órgãos de vigilância e pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.
O caso levanta um alerta grave sobre segurança em procedimentos médicos e a necessidade de rigor no controle sanitário em ações de grande escala.
Redação: Oeste em Alerta
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