A família de Preta Gil firmou um acordo com o padre Danilo César, da paróquia de Areial, na Paraíba, após ele ser denunciado por intolerância religiosa durante uma missa realizada no ano passado. O entendimento ocorreu no âmbito de um processo cível por danos morais que tramita na 41ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro e ainda depende de homologação da Justiça.
Pelo novo acordo, o religioso concordou em pedir desculpas públicas à família de Preta Gil, citando nominalmente o pai da artista, Gilberto Gil, e outros familiares. Também reconheceu o teor ofensivo das declarações feitas durante a celebração e que as falas causaram sofrimento aos parentes da cantora.
Com a conciliação, o padre evita o pagamento de R$ 370 mil em indenização.
As desculpas deverão ser feitas durante uma missa transmitida no canal oficial da paróquia no YouTube, no mesmo ambiente e com alcance semelhante ao da cerimônia em que ocorreram as declarações que motivaram a ação judicial.
Segundo o acordo, o padre terá prazo de 30 dias úteis, após a homologação judicial, para cumprir a obrigação. Caso descumpra, poderá ser aplicada multa de R$ 250 mil.
Também ficou definida a doação de oito cestas básicas para uma instituição indicada pela família Gil, em até dez dias após a validação do acordo. A Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia, também integra o termo firmado.
Na esfera criminal, o padre já havia fechado, em fevereiro, um acordo de não persecução penal com o Ministério Público Federal da Paraíba (MPF-PB), evitando responder criminalmente no processo.
Entre as medidas impostas, estão participação em ato inter-religioso, cursos sobre intolerância religiosa, produção de resenhas sobre obras ligadas ao tema e pagamento de R$ 4.863 a uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes.
O caso ganhou repercussão após declarações feitas durante missa em 27 de julho, quando o padre citou a morte de Preta Gil, vítima de câncer colorretal, associando o falecimento às crenças da artista em religiões de matriz afro-indígena.
As falas também atingiram fiéis presentes, ao classificar essas religiões como “coisas ocultas”, o que gerou forte reação pública e denúncias por preconceito religioso.
Conforme apurado pelo Oeste em Alerta, o episódio provocou grande repercussão nacional e segue sendo acompanhado pelas autoridades.
Redação: Oeste em Alerta
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