quinta-feira , 9 julho 2026

BYD entra na “lista suja” por trabalho análogo à escravidão após resgate de trabalhadores na Bahia

A montadora chinesa BYD passou a integrar a chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego, que reúne empregadores envolvidos em casos de trabalho em condições análogas à escravidão. A inclusão ocorreu após o resgate de trabalhadores chineses, em dezembro de 2024, durante a construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.

Ao todo, 220 funcionários haviam sido contratados para atuar na obra. Segundo as autoridades, eles foram encontrados em alojamentos precários, sem condições adequadas de conforto e higiene, além de estarem sob vigilância de seguranças armados, que restringiam sua liberdade de locomoção.

As investigações apontaram ainda que os trabalhadores tiveram seus passaportes retidos e estavam submetidos a contratos com cláusulas ilegais, jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal. Um dos operários relatou ao Ministério Público do Trabalho da Bahia que sofreu um acidente com uma serra, associando o ocorrido ao cansaço extremo causado pela falta de folgas.

O Ministério Público do Trabalho da Bahia também identificou que os trabalhadores entraram no Brasil de forma irregular, com vistos incompatíveis com as atividades exercidas na construção.

Na época, a BYD afirmou que as irregularidades foram cometidas pela construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda e anunciou o rompimento do contrato com a empresa. A montadora declarou ainda não tolerar violações à legislação brasileira e informou que transferiu parte dos trabalhadores para hotéis da região.

No fim de 2025, foi firmado um acordo de R$ 40 milhões entre a BYD, duas empreiteiras e o Ministério Público do Trabalho, após ação civil pública envolvendo acusações de trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.

Procurada pelo Oeste em Alerta para comentar a inclusão na lista, a empresa não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

A inclusão na “lista suja” ocorre apenas após a conclusão de processo administrativo, com decisão definitiva e sem possibilidade de recurso. Em geral, os nomes permanecem no cadastro por dois anos, embora regras mais recentes permitam a saída antecipada mediante cumprimento de condições, como indenização às vítimas e investimento em programas de apoio.

Criada em 2004, a “lista suja” é considerada um dos principais instrumentos de combate ao trabalho escravo no Brasil. Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores já foram resgatados de condições semelhantes à escravidão em todo o país, resultado da atuação de órgãos como o Grupo Especial de Fiscalização Móvel.

Denúncias desse tipo de crime podem ser feitas de forma anônima por meio do Sistema Ipê, plataforma oficial voltada ao combate ao trabalho análogo à escravidão.

Redação: Oeste em Alerta

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