quinta-feira , 9 julho 2026

Terror no estacionamento: família é sequestrada em shopping e mantida em cárcere sob ameaça de execução

Uma das mulheres sequestradas junto com a irmã e a mãe no estacionamento do Salvador Shopping, na capital baiana, revelou momentos de pânico vividos durante o crime, em entrevista à TV Bahia. O caso aconteceu no domingo (15), quando as três foram ao centro de compras e acabaram sendo abordadas por criminosos. Elas só foram resgatadas cerca de 12 horas depois, em uma casa abandonada.

Segundo o relato da vítima, que preferiu não se identificar, a ação foi marcada por extrema violência psicológica.
“Eu ainda tentei correr, mas ele gritou que iria ‘estourar’ a cabeça da minha irmã. A arma estava apontada para ela”, contou.

As três foram rendidas ainda no estacionamento e obrigadas a entrar no próprio carro, um veículo de luxo. Os criminosos assumiram a direção e seguiram até o bairro de Plataforma, no subúrbio de Salvador, a cerca de 17 km do shopping.

No local, as vítimas foram levadas para uma casa abandonada, sem qualquer estrutura básica. Sem água, energia elétrica ou condições mínimas de higiene, elas foram mantidas sob ameaça constante e obrigadas a realizar diversas transferências bancárias.

O trauma deixado pelo crime vai além das perdas financeiras.
“Não é uma dor material. Isso deixa marcas psicológicas e faz a gente perder a confiança”, desabafou uma das vítimas.

De acordo com informações repassadas ao Oeste em Alerta, pelo menos seis homens participaram diretamente da ação criminosa. Até o momento, eles seguem foragidos. Uma mulher, identificada como Emile Quessia Oliveira, foi presa em flagrante e apontada como uma das responsáveis pela organização do sequestro.

O desaparecimento das vítimas foi percebido após o filho de uma delas estranhar a falta de contato.
“Nenhum dos três celulares atendia. Todos apresentavam o mesmo comportamento, recusando chamadas. Foi aí que ele percebeu que algo estava errado”, explicou o advogado das vítimas, Cícero Dantas.

Ainda segundo o advogado, os criminosos utilizaram principalmente ameaças psicológicas para forçar as transferências e chegaram a exigir nomes de familiares para possíveis pedidos de resgate.

A polícia chegou até a suspeita após uma das vítimas transferir uma quantia significativa para sua conta bancária. Ao ser abordada, Emile indicou o local onde as vítimas estavam sendo mantidas em cárcere. No endereço, os policiais encontraram a idosa e suas duas filhas.

As investigações revelaram que Emile já responde a um processo na Justiça da Bahia por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e homicídio. Ela seria parte do núcleo financeiro de um grupo criminoso que também envolve seu marido, Pedro Vitor, atualmente preso na Penitenciária Lemos de Brito.

A principal linha de investigação aponta que o crime pode ter sido articulado de dentro do presídio, com ordens sendo repassadas por ele para os envolvidos do lado de fora.

A polícia segue em busca dos demais suspeitos.

Redação: Oeste em Alerta

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